Por Gerson Sabba
“Somos estranhos. Passamos a vida fazendo coisas que detestamos para ganhar dinheiro, para comprar coisas que não precisamos e impressionar pessoas que não gostamos.”
Laurence J. Peter
Nós, no Brasil e em muitos outros países pelo mundo, temos como exemplo e desejo consumir como os Estados Unidos. Somos bombardeados constantemente com o way of live norte-americano; nada disso é novidade. O que evitamos pensar, ou ignoramos, é que todo consumo causa impacto na natureza, na economia e mesmo nas relações sociais.
Somos influenciados a todo momento por propagandas que se valem de conceitos de psicologia social para nos vender a ideia que a satisfação pessoal está em possuir objetos, e, com isso, não nos preocupamos com as conseqüências. Isso também não é novidade.
A novidade é que pesquisadores do tema fizeram as contas e descobriram que isso é insustentável. O exemplo clássico que apresentam vem do próprio norte-americano médio, que, apesar de ter uma população que corresponde a 5% da mundial, consome o equivalente a 30%. Um verdadeiro absurdo. Com o aumento natural da população mundial e o desejo de entrar em um mercado consumidor equivalente ao dos EUA, a conclusão a qual chegaram é que mundo não aguenta. Até 2050 algo deve ser feito, pois não se poderia viver em um planeta no qual se troca todos os anos de carro e a cada seis meses de celular, mas é daí que nasce o dilema.
Ninguém quer abrir mão de padrões de vida conquistados, e os que não os possuem querem passar a tê-los. Para tanto é necessário crescimento econômico, ganhos de escala, etc. Vejam que a solução apresentada para a crise econômica de 2008 foi incentivar a indústria e salvar os bancos, para que continuem emprestando dinheiro, criando-se um círculo vicioso como uma cobra que come o próprio rabo. Não é demonizar o crescimento econômico, é simplesmente aceitar que isso não se sustenta a longo prazo e será uma conta que alguém terá que pagar.
Esse é um problema político, econômico, social e mesmo filosófico, e a solução apresentada é a mudança de comportamento, o consumo consciente. Só que isso representa uma alteração de paradigma sem igual na maioria das sociedades, já que uma das leis da Economia é que as pessoas sempre desejaram possuir mais a possuir menos; muito poucos iluminados se contentam apenas com o necessário, pessoas que conseguiram rever valores, olharam mais para si mesmas e, supostamente, encontraram a felicidade autêntica que se alcança vivendo a vida.