Por Marcelo Nobre
A Copa do Mundo da África do Sul chegou ao fim. Após quatro anos de muita expectativa para a competição máxima do futebol, vem agora a “ressaca” pelo seu término. Afinal, milhões de torcedores pelo mundo ficaram decepcionados com o resultado de suas seleções. A única exceção, claro, são os espanhóis, que estão em êxtase e assim permanecerão por um bom tempo.
O sonho do hexacampeonato para o Brasil foi adiado mais uma vez. Decepção para os brasileiros? Sim. Afinal, teremos que esperar mais quatro anos para a próxima Copa do Mundo, que se realizará em nosso país. Porém, a derrota na África do Sul pode ter sido a melhor coisa que poderia ter acontecido para o futebol pentacampeão. Loucura? Nem tanto. Vamos aos fatos.
Quando a Seleção brasileira de Zico, Falcão, Sócrates, Éder, Júnior e Cerezo – comandada por Telê Santana – foi batida no Estádio Sarriá, na Espanha, derrotada por 3 x 2 para a Itália de Paolo Rossi, autor de todos os gols da Azurra naquela tarde de 5 de julho, criou-se um mito que era uma grande bobagem “jogar bonito” e perder. A partir de então, implantou-se a mentalidade de fazer o Brasil jogar o “futebol de resultados”, descaracterizando a Seleção e igualando-a a tantas outras mundo afora. Os fracassos continuaram, com a diferença de que vieram acompanhados de um “jogar feio”. Dois títulos até foram conquistados, em 1994 e 2002, mas com um futebol coletivo que nem de longe enchia os olhos. Triunfos que, aliás, deveriam ser creditados mais a Romário no tetra e a Ronaldo e Rivaldo no penta; talentos individuais que sobressaíram ao coletivo, este bem mediano.
A seleção de Dunga na Copa do Mundo da África do Sul foi o mais perfeito exemplo do “futebol de resultado”: um time sem brilho, sem destaques pessoais, sem jogadores que empolgassem os torcedores. Uma equipe perigosa, sem dúvida, mas sem atletas capazes de tirar o algo mais que os craques conseguem; o algo mais capaz de transformar um jogo, como foi preciso na derrota para a Holanda por 2 x 1. Uma seleção que venceu bastante, mas que não deixará saudades.
E o que o título da Espanha tem a ver com o Brasil? Simples. A Fúria foi campeã jogando o futebol mais bonito da Copa. Um time ofensivo, de belo toque de bola, com jogadores como Villa, que driblava, dava espetáculo e fazia gols. Não estivesse Fernando “El Niño” Torres se recuperando de uma lesão, os espanhóis poderiam ter aplicado goleadas ao longo da competição. Enfim, a Espanha venceu e o “jogar bonito” triunfou.
Para os que sabem ver o presente e ler o futuro, o dia 11 de julho de 2010 pode ter enterrado o mito do “futebol de resultados” para o Brasil. Nossa vocação é a de vencer dando espetáculo, como os norte-americanos no basquete. Que assim seja. Se perdermos, será por um castigo dos deuses do futebol, mas e daí? A capacidade de improviso sempre fará com que o Brasil esteja acima de seus adversários. Quem não se lembra da Hungria de 1954, da Holanda de 1974, do Brasil de 1982 ou da Dinamarca de 1986? Nenhuma delas foi vencedora, mas todas são inesquecíveis. Perderam nos detalhes, os mesmos detalhes que fazem com que um time que “jogue feio” também perca.
Que a mentalidade do nosso próximo técnico seja a do futebol espetáculo. Leonardo seria um bom nome. Quem sabe? De qualquer forma, bem-vindos Neymar, Ganso, Phillipe Coutinho e Pato. O futuro pertence a vocês.