Por Luciana Costa Barretto
A tecnologia deu um upgrade nas relações de um modo geral. Tanto que, até no novo programa da TV Globo, Amor & Sexo, a semelhança entre um espermatozóide e um mouse de computador na apresentação não é mera coincidência. Tudo está nas entrelinhas. E não precisa nem de linguagem subliminar para saber o que já é sabido. A tecnologia de fato deu um empurrãozinho em todo tipo de relacionamento. Milhões de pessoas amam, fazem amizades, trabalham, despertam a cobiça, o desejo e a paixão através da Internet. Como conseguimos realizar o que sempre pareceu impossível? É a tal magia. E foi através dela que outro dia ouvi algo interessante demais. Na verdade, eu li. Foi no Twitter e foi de Léo Jaime, quando quase filosofou ao constatar que o Twitter foi um facilitador para o raivoso expressar sua raiva. Fiquei matutando. Às vezes, me pego parafraseando o cara. Ícone dos anos 80, ele, que inclusive está à frente da banda que embala o mesmo programa global citado acima, mais uma vez acertou na medida, na prosa e no verso, quando disse que no Twitter as pessoas mostram como adoram odiar bem de pertinho. Foi algo mais ou menos nessa onda.
O caso é que certo mesmo é o velho ditado que diz: falem mal... Pois Léo Jaime está é muito bem. Repleto de tweets! Com mais de mil seguidores, como ele mesmo diz, além de ser fato constatado. Enfim, não dá pra alguém odiar o outro tão de pertinho assim, dá? Adorei essa coisa. Com categoria e quase profundamente, ele chutou o “tweetteiro” de quinta para fora da história. Aliás, como tem chatos dissonantes na web! Como diz meu melhor amigo, o cantor e compositor Luciano Bahia, o Twitter tornou todo mundo crítico de algo. As pessoas não se contentam em “twittar” um comentário simples e até construtivo. O povo quer “sangue, suor e lágrimas”! Cada um poderia falar de seu trabalho ou mesmo seguir a simples instrução que manda você dizer o que está fazendo naquela hora. Mas, não... Nada disso basta. A besta humana quer aproveitar qualquer espaço pra destilar veneno e, é claro, para odiar bem de pertinho qualquer um que tenha o que fazer e se destaque por isso. Aliás, é ali o espaço perfeito que permite que as pessoas odeiem e sejam odiadas em segundos. O ponto é que não existe escapatória. Ninguém fica livre de receber chicotadas no webespaço. O bom é que logo que dá, leva na cara. Viva, viva o tempo real.
Pensando nesta linha, minha situação é que não é das melhores... Quem acompanha minha coluna sabe que até euzinha, que nem famosa sou, tenho uma legião de fãs que adoram me odiar bem de pertinho. E não tenho como responder em tempo real! Tem gente que posta comentários tão horríveis que, admito, mando tirar de vergonha. Mas tudo mudou! Assim que a ficha caiu, tive um insight através de Léo Jaime e seus ditos, e lembrei do Luciano, que avisava: “Tudo isso está inserido no pacote, darling. Deixa falarem mal, deixa falarem bem. Deixa. Viva e deixe viver! Isso é sucesso, baby, puro sucesso, pura leveza, puro prazer. Ser livre é respeitar a liberdade do outro, mesmo que seja em seu louco prazer de odiar de perto", repetia ele, incansável.
Bem, Luciano sabe das coisas... Pra ele, a grande magia negra do Twitter foi transformar um bando de idiotas em sábios de tudo. Com frases de efeito prontas para qualquer situação a fim de esculhambar seja lá quem for. Mais uma vez ele tem razão. Essa mania idiota de as pessoas quererem ser cult a todo custo é que mata. A necessidade do ego humano de colocar o outro no andar de baixo, numa posição de cafona, é o que há de mais brega no mundo. E o que não falta é gente brega. Basta observar às bostagens feitas na web. No fundo, pra essa turma fica complicado não ter uma opinião a respeito de tudo, mesmo que uma opinião de quinta.
Tenho essa coisa de admirar o que todo mundo esconde que gosta. Sou louca por Leoni, Luciano Bahia, Marcelinho Abre Coração, Sylvinho Blau Blau e, também, passeio por outros caminhos que incluem artistas incríveis, como Lenine, Beto Guedes, Flávio Venturini, Lô Borges e a turma do 14 Bis... Ahhh... Quem não lembra do Ritchie, do Sempre Livre e do Rádio Táxi? Gosto do Roupa Nova, e o que é que tem, gente? E daí? Eles estão na história da nossa música sim. Embalaram nossa vida e ainda continuam presentes quando tocam seus sucessos nas rádios, nas festas plocs e até naquele DVD que tem função de videokê e que todo mundo tem em casa, mas jura que não usa. Hahahaha. Eu canto no videokê e acho ótimo! É... Eu também gosto de Caetano-Maravilhoso-Veloso, Gilberto-Tudo-de-Bom-Gil, Gal-DaSorte-Costa, e de tanta gente boa que nem está mais por aí; Cazuza, Renato Russo... Quem lembra da Gang 90? Pois é... Apesar dos absurdos, a vida é que segue.
Pra encerrar toda esta história, vou direto ao motivo de uma outra indignação relativa ao ódio de pertinho e, novamente, tenho Léo Jaime como personagem. Outro dia li até que Léo está para Fernanda Lima como Louro José para Ana Maria Braga... Parece até uma sacanagem aos olhos dos ignorantes que não imaginam uma crítica sem querer idiotizar o criticado... Povinho abestado! O grande lance é que quem conhece sabe que, ali, Léo ganhou foi um elogio dos melhores. Por acaso, alguém imagina Ana Maria Braga sem o fofo do Louro José? Bem, segundo Luciano, Louro José é tudo de bom... Caçulinha é tudo de bom e, cá entre nós, se for pra comparar mesmo, Léo está tudo de bom à frente da banda do programa, mesmo que, para ignorância de muitos, estar numa posição de Louro José não seja o sucesso que na verdade é. Aliás, alguém quer uma Loura José por aí? Acabo de voltar a ser loura (loira) e abrir minha candidatura.
Votem em mim!
Uma ótima semana para todos e até a próxima!