Por André Leite
Uma imagem tosca, som monofônico, cortes bruscos, cenas repetidas; algumas ficam em p&b, sem mais nem menos... Que isso?! Esse cara deve estar de brincadeira! E está mesmo. No filme À Prova de Morte, o diretor Quentin Tarantino partiu de um fiapo de roteiro – serial killer mata garotas com seu carro infernal – e deitou e rolou nas referências aos filmes ordinários dos anos 70 sem esquecer também sua deliciosa e anárquica filmografia.
As pistas estão espalhadas para todos verem, dependendo do tipo de espectador que você seja: o carro e a calça amarela que Uma Thurman usou em Kill Bill, os diálogos enormes de Pulp Fiction, a fixação pelos pés femininos em quase todos os filmes e principalmente, as mulheres; as “gatas” de Tarantino são de fazer as Bond Girls parecerem um bando de paquitas passivas!
Essas pistoleiras são desbocadas, implacáveis, sensuais, bebem, fumam e cheiram demais, transam com quem quiserem e não fogem à luta, encarando uma boa vingança de peito e pernas abertas. A música é quase um personagem, impulsionando os personagens quase como num exorcismo. A cena em que uma das garotas faz uma lap dance para Kurt Russell já vale o preço do ingresso.
Portanto, se concordar em entrar na brincadeira, esqueça as narrativas formais e o novo “mundo 3D”, no qual a única surpresa é a forma, e encare-o como uma visita a um parque temático em 3T (Tesão, Testosterona e, o mais importante, T de Tarantino!).
À Prova de Morte (Grindhouse - Death Proof)
Elenco: Kurt Russell, Rosario Dawson, Rose McGowan, Marley Shelton, Mary Elizabeth Winstead, Sydney Poitier, Zoë Bell, Eli Roth.
Direção: Quentin Tarantino
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=WhpfoRj32EQ