Foto: Papinha com a autora Elizabeth Jhin, por João Miguel Júnior/TV Globo
Diretor de Escrito nas Estrelas, Rogério Gomes teve seu primeiro contato com a TV aos cinco anos, quando começou a acompanhar o pai, o locutor Hilton Gomes, aos estúdios da TV Tupi. Ali nasceu sua paixão pela televisão. Em 1980, começou a trabalhar como operador de VT na TV Globo. Daí a editor de imagens, foram cinco anos. Antes de começar a trabalhar com dramaturgia, Papinha, como é conhecido pela equipe, editou e dirigiu diversos clipes exibidos no Fantástico, algumas edições do Hollywood Rock e também o primeiro Rock in Rio. A primeira novela que assinou como editor foi Rainha da Sucata, de Silvio de Abreu, em 1990. A experiência como operador de VT, montador e editor lhe deu total intimidade e agilidade no set de gravação. “Penso muito através de imagens e, como conheço os recursos que temos, visualizo a cena pronta”, conta.
O passo seguinte foi dirigir a minissérie O Sorriso do Lagarto, adaptada do romance de João Ubaldo Ribeiro e, logo depois, a novela Deus nos Acuda, de Silvio de Abreu. Em 1996, foi sua estreia como diretor-geral, com Vira-Lata, de Carlos Lombardi. De lá para cá, Papinha colecionou sucessos, como os recentes trabalhos Sinhá Moça, em 2006; o programa Por Toda Minha Vida em homenagem ao cantor Leandro, em 2007; Beleza Pura, em 2008; e Paraíso, em 2009. Com Escrito nas Estrelas, Rogério Gomes assina pela primeira vez a direção de núcleo de uma novela.
O que foi mais desafiador de conceituar esteticamente nessa novela?
O mais difícil foi conceituar os dois planos que aparecem na trama, o terrestre e o espiritual. O terrestre foi mais tranquilo, pois é realista como costumamos fazer em novelas. O outro plano foi mais complicado. Pensei inicialmente em gravar em locais com natureza muito bonita, mas achei que poderia confundir o público. Busquei, então, um universo mais lúdico, mágico, com painéis pintados, inspirado de certa forma no que o Luiz Fernando Carvalho fez na minissérie Hoje É Dia de Maria.
E a direção de fotografia tem algum aspecto especial que você gostaria de destacar?
Quem faz a direção de fotografia é o Sergio Tortori, com quem já trabalhei algumas vezes. Nas imagens realistas, não tivemos uma preocupação especial, só o cuidado que sempre temos em fazer uma luz bonita. Para o plano espiritual, estamos gravando em 24 quadros por segundo, em vez dos tradicionais 30. Isso provoca na imagem uma textura um pouco diferente. Também estamos trabalhando com uma luz mais recortada, que se aproxima de uma estética cinematográfica. Nesse plano espiritual estamos usando ainda uns recursos diferentes nos voos dos personagens. Associamos os efeitos tradicionais de levitação do ator a movimentos executados dentro d’água, o que ameniza o efeito da gravidade, deixando-os mais suaves. Acho que essas cenas serão uma bela surpresa.
Entre as equipes de criação, é comum ouvir que você busca sempre o equilíbrio nas composições dos quadros, sem muitas “regras” predeterminadas. Como você define o seu trabalho?
Acho que o meu trabalho é muito intuitivo. Olho tudo que está ali, o que está bom ou ruim, e vou mexendo até consertar. Quando abro a câmera, é como se fosse uma tela em branco, livre para poder pintar.
Além de algumas locações em São Paulo e em Petrópolis, vocês gravaram na comunidade do morro Santa Marta, no Rio de Janeiro. Como foram essas gravações?
Foi muito tranquilo, diria até que foi mais fácil do que gravar na praia do Leblon! Todo mundo ali está acostumado, já rodaram filmes, clipes. Apesar de o texto não fazer uma referência explícita ao local - é uma comunidade no Rio de Janeiro -, assumimos a paisagem local, de Botafogo. Foi muito bom gravar lá, o visual é muito bonito, era exatamente como queríamos.
Como está sua expectativa para Escrito nas Estrelas, que marca sua primeira parceria com a autora Elizabeth Jhin?
A Beth merece todo sucesso do mundo, nossa interação é ótima. E acho que o público vai gostar de assistir à novela, que conta uma grande história de amor.